22 de setembro de 2018

Banner prefeitura e trabalho 705x90

O Jogo

O básico sobre coberturas

Após explicar alguns aspectos fundamentais de um sistema defensivo, agora vou aprofundar mais sobre o assunto. Basicamente, um ataque pode correr ou passar a bola, portanto, uma boa defesa tem que saber como conter isso o máximo possível. Até porque é impossível, quando falamos em alto nível, ver um ataque não conseguir uma jarda se quer. E mesmo que você tome pontos, quanto menos tomar melhor, ou seja, mesmo que você deixe o ataque ganhar 70 jardas num drive (série de jogadas consecutivas do ataque), se a defesa force o adversário a chutar apenas o field goal, já um lucro considerável. Por exemplo, imagine seu time pegar o avassalador Denver Broncos liderado pelo Peyton Manning, não tomar um touchdown é quase marcar um. Isso é dever da defesa. Todavia, um dos fatores que fazem de ela ser boa ou não, envolve o time como completo. Não adianta você ter três J.J. Watt, Darrelle Revis e Ed Reed se o seu ataque não conseguir marcar e/ou ficar pouco tempo em campo, seu time defensivo também precisa descansar. Enfim, falarei sobre as coberturas contra o passe.

Um pouco de história

Hoje vemos uma NFL dominada por QBs que são precisos como um atirador de elite; Tom Brady, Drew Brees, Matt Ryan, são apenas alguns nomes. Só que se voltássemos no tempo, num período próximo a segunda guerra mundial, veríamos um cenário totalmente diferente. As formações eram todas parecidas com as que os times usam quando estão a uma jarda da end zone e só precisam de poucos centímetros pra marcar. A diferença é que tínhamos mais jogadores no backfield (área atrás da linha ofensiva) e o quarterback não era quem, normalmente, passava a bola. Tudo mudou quando na década de 1940 a formação T foi criada pelo técnico do Chicago Bears George Halas.

Como o colunista americano Chris Brown diz, no futebol americano é como numa luta, quando o ataque dá um soco, a defesa apanha no começo porém dispara um contra-ataque. A resposta foi uma formação chamada 5-2, que, no começo conseguiu contê-la. Por causa disso os ataques foram se adaptando, os recebedores começam a surgir, décadas depois os tight ends começam a receber passes e não ficam só focados no bloqueio. E a história é construída.

Passando alguns anos após isso, lá pela década de 1970, as formações defensivas mais comuns na NFL eram o 3-4 e 4-3. Acerca das coberturas, normalmente era mais focado no homem a homem. Diante deste cenário, o Dallas Cowboys teve a ideia de chamar o medalhista de ouro das olímpiadas de 1964 Bob Hayes. Ele conquistou nos 100 metros rasos e no revezamento 4×100. Enquanto estava na escola e faculdade era primariamente focado no atletismo, embora tenha jogado FA na adolescência. Para explorar sua velocidade, o screen pass foi criado pois recriaria um cenário habitual para Bob, pois com os bloqueios, ele apenas teria que dar um, no máximo dois, cortes e disparar em linha reta rumo à end zone.

Isso causou uma sensação tremenda na liga, fazendo com que Hayes, muitas décadas depois, entrasse inclusive no Hall da Fama do esporte. Como dito anteriormente, as defesas usavam mais a marcação individual nos jogadores elegíveis a receber passe. Como na imagem acima, até os defensores reagirem à jogada, já era tarde, ainda mais quando você tinha um velocista olímpico com “sangue no zóio” e uma avenida pra poder correr após receber o passe. Nesse período começou a difundir as coberturas em zona, as homem a homem não foram esquecidas, muito pelo contrário.

Abaixo explicarei as coberturas, de forma sucinta, mais utilizadas na National Football League. Um fator fundamental pra você reconhecer quando ver um jogo pela tv ou ao vivo, seja CBFA, TTD, LFA, etc; é ver o posicionamento dos safeties. Normalmente, o free safety (FS), é aquele que tem, normalmente, melhor cobertura pro passe do que para a corrida; já seu parceiro o strong safety (SS), é quase o oposto, precisa ser um “mini-linebacker”, por ter que ficar mais no box para marcar o tight end. Dependendo da habilidade dos safeties, o mesmos podem marcar individualmente os recebedores, bem como dos running backs, tudo vai depender da jogada e do que o ataque adversário apresentar. Como dito acima, se um safety fica atrás, a defesa pode estar jogando em Cover 1, se dois safeties ficam atrás, pode ser Cover 2. Mas essa regra não se aplica 100%, pois em alguns esquemas como Cover 3, não são usados três safeties, normalmente.

Cover 0 ou homem a homem total

Nesse esquema vimos que os safeties estão próximos a linha do scrimmage, caracterizando um Cover 0. Esse alinhamento é usado quando a defesa tem confiança nos seus corners e faz com que até seis jogadores possam ir na blitz, pois os safeties estão marcando aqueles jogadores que seriam responsabilidade de outros. Como não tem ninguém lá atrás, se os CBs falharem a casa caiu. Por isso o Cover 0 é uma jogada arriscada, se o QB não for derrubado e tiver tempo ele achará um alvo livre. Como podem até seis irem na blitz, é uma boa pedida contra o jogo corrido, devido ao fato de que todos os gaps estarão fechados.

Cover 1

A diferença básica é que o FS está mais recuado, porém ainda o restante do time está marcando individualmente. Como vocês pode ver na figura, temos o 2 e 3, obviamente RBs, para serem marcados por quatro LBs. O que isso significa? Pelo menos dois deles podem vir na blitz que ainda a defesa está balanceada e ninguém do ataque ficará sem cobertura. Além do mais, o FS marca o meio do campo, ou seja, quem cruzar por ali receberá além do seu marcador original a ajuda desse safety. Como nunca nada é perfeito, se, por exemplo, os dois WRs mais abertos (X e Z) ganharem dos seus corners e forem em retos em direção a end zone, o FS terá que escolher um para cobrir, deixando o outro livre. Se o QB tiver tempo ele reparará nisso. Como o Cover 0, também é bom contra a corrida pelo mesmo fator citado acima, LBs livres pra irem atrás da cabeça do quarterback, fechando os espaços caso o RB tente correr.

Cover 2 – Zona

Agora são dois safeties no fundo, que ficam responsáveis por pegar, cada um, 1/2 do campo. O resto dos jogadores, exceto a linha defensiva, fica como uma área curta. As áreas em amarelo são os pontos fracos desta cobertura, bem como o a corrida, caso a DL não consiga se impor contra a OL adversária. Um outro ponto fraco que, através de uma coisa simples, pode deixar o safety confuso e batido. Experimente alinhar três recebedores, ou dois recebedores e um tight end, do mesmo lado. Feito isso, mande-os em linha reta pra end zone. Pronto, o safety terá que decidir qual dos três pegar. Pobre coitado, se a mesma regra básica pra qualquer esquema defensivo, se o QB tiver tempo, adeus, é quase TD.

Cover 2 – Homem

A imagem de um Madden NFL antigo ajuda a ilustrar como esse Cover 2 funciona e já deixa exposto um ponto fraco ali no meio da defesa, um baita espaço pro RB explorar. Pra fechá-lo, continuando nesse sistema, quem estiver marcando o tight end teria que dar uma fechada no meio, porém se for passe, aquele que ele deveria marcar terá uma vantagem. Já, em situações óbvias de jogo aéreo, como terceira descida pra mais de cinco, dez jardas, é uma boa alternativa. Falo isso porque o fato de ter dois safeties no fundo ajuda muito na cobertura das rotas longas, visto que os recebedores não irão vir sozinhos, como no Cover 2 zona.

Cover 3

No Cover 3 a disposição dos jogadores pode variar, porém, além do que está na figura acima, o FS pode ficar mais atrás e o SS mais embaixo, como numa Cover 1. Esta jogada se chama Cover 3 pois três jogadores ficam responsáveis por pegar cada um 1/3 da zona mais profunda. Enquanto isso o resto divide em pegar as zonas mais baixas. Como o SS, normalmente, fica perto do box, ele pode ajudar na corrida, bem como em passes curtos. A principal vantagem é que as rotas longas estarão bem cobertas por três defensores, todavia as rotas curtas e corridas pro lado oposto do safety mais baixo são um problema. E como sempre, pelo fato de apenas 4 DLs, ou 3 DLs e 1 LB no 3-4, estão na blitz, se os mesmos não forem dominantes, o QB terá tempo e achará alguém livre.

Cover 4

Como no Cover 3, dessa vez quatro defensores dividirão a zona de rotas longas. Na imagem estão presentes três linebackers, porém, normalmente, apenas o middle (M) fica e os outros são substituidos por defensive backs pelo fato dos mesmos serem mais rápidos. Este esquema é basicamente contra situações óbvias de passe longo pois corridas e passes curtos podem ser facilmente completados.

Coberturas, blitz e muito mais

Como dito no texto introdutório sobre a defesa, blitz é quando um defensor tem como objetivo ir em direção do QB para fazer um sack. Porém isso não é fácil, normalmente, são cinco, seis e até sete jogadores são utilizados para proteger o quarterback. Sim, às vezes o tight end e algum running back fica responsável para proteger em situação de passe. Isso ocorre devido ao fato da defesa ser agressiva e mandar, além dos manolos da DL, jogadores extras na blitz. Antigamente, isso significava pro ataque que a defesa estaria marcando homem a homem, portanto uma boa proteção pro QB e o mesmo tendo um bom conhecimento de jogo/experiência, teria a possibilidade de encontrar alguém livre. Uma coisa que fique claro pra quem ainda não é habituado com conhecimentos mais avançados sobre o esporte, quando você põe sua defesa para marcar homem a homem, depois de algum tempo alguém ficará livre. Não são todos os seus defensores que são hábeis marcadores. Por isso que era lei, blitz = homem a homem, logo QB com pouco tempo pra lançar = passe incompleto, sack ou interceptação.

Para surpreender os ataques, os coordenadores defensivos começaram a mudar essa “regra”. Blitz também poderia ser usada com marcações em zona, como na figura abaixo.

Além disso, a defesa sempre tenta mostrar que está jogando de uma forma e agindo de outra para confundir o QB, aí que as blitz em zona caem como uma luva. Ora, não é interessante que minha defesa mostre que esteja jogando Cover 1 e na verdade está em Cover 3, com a blitz do sam linebacker, como na imagem acima?

Pois é, esse é apenas um aspecto. Quando se trata de alto rendimento, NFL e NCAA, por exemplo, isso se trataria de apenas metade de uma jogada. Isso, metade. Pera, metade? Aham. A evolução é tanta que as defesas profissionais mostram de um lado da defesa homem e no outro zona. Pode ser que estejam fazendo isso, pode ser que não. Tudo pra confundir o QB e o coordenador ofensivo, cara responsável por chamar as jogadas e repassar ao quarterback.


versão Normal Versão Normal Painel Administrativo Painel Administrativo