Um bom artigo sobre arbitragem, escrito pelo Thiago Zys, um dos árbitros que apitarão o Pantanal Bowl II, e pelo Daniel Vasquez, presidente do Conselho Arbitral da AFAB.
Embora na maioria das jogadas de futebol americano os pés sirvam unicamente de sustentação para os jogadores, que utilizam as mãos para lidar com a bola, os chutes podem ser decisivos nas partidas. O chute mais freqüentemente utilizado nas partidas é o PUNT.
O PUNT é o ato de chutar a bola no ar em direção ao campo adversário, de forma a colocar o time adversário numa situação em que seja mais difícil pontuar. É um recurso utilizado numa situação de 4ª descida, quando o time está muito longe para efetuar uma tentativa de field goal. Mas o PUNT não é restrito às situações de 4ª descida, podendo ser efetuado em qualquer descida. Na verdade o PUNT começa como uma jogada normal: os jogadores estão alinhados na linha de scrimmage, ocorre o snap, que é bastante longo, em torno de 15 jardas, diretamente para o punter, o jogador que efetua o chute. O ato de o punter chutar a bola caracteriza o PUNT. Porém o time chutador pode fazer um fake, tentando conquistar jardas através de corrida ou de passe. Somente os recebedores elegíveis que estiverem na linha de scrimmage (que são os mais próximos à cada lateral) e os jogadores elegíveis alinhados fora da linha de scrimmage podem cruzar a linha antes de a bola ser chutada.
O time recebedor pode bloquear o chute, mas qualquer contato com o punter, sem haver contato anterior com a bola chutada, é falta. Caso o chute seja bloqueado e não cruze a linha de scrimmage, a bola é viva e pode ser recuperada por qualquer time, porém se for recuperada pelo time chutador, para manter a posse de bola, o mesmo deve avançar as jardas necessárias para uma 1ª descida, caso o punt tenha sido feito numa 4ª descida. Não é permito “escalar” em outro jogador na tentativa de bloquear um chute. Caso algum jogador bloqueie um PUNT mas ainda assim a bola cruze a linha de scrimmage, o PUNT é válido e as regras a ele se aplicam normalmente.
Caso a bola chutada saia pela linha lateral, a posse de bola é do time recebedor, na linha em que a bola saiu. Caso caia na endzone, é touchback (bola na linha de 20 jardas do campo do time recebedor). O time chutador pode recuperar a bola, porém a posse permanece do time recebedor, no ponto da recuperação. Caso um jogador do time chutador recupere a bola dentro da linha de 5 jardas e entre na endzone com a bola, o resultado é um touchback.
O jogador do time recebedor que receber a bola pode retorná-la. O jogador que recebe a bola pode optar por pedir um fair catch, situação na qual ele abdica do direito de avançar com a bola, em troca da segurança de não ser tocado por adversários. Para pedir o fair catch o jogador deve, antes de receber a bola, levantar o braço totalmente sobre a cabeça e agitá-la para os lados. É ilegal o jogador que pedir o fair catch bloquear ou entrar em contato com algum jogador do time chutador. Um fair catch perde a validade se a bola tocar o chão ou algum jogador do time recebedor. Caso qualquer jogador do time recebedor toque na bola, após a mesma ter cruzado a linha de scrimmage, mas não obtenha a posse dela, com ou sem pedido de fair catch, a bola é viva e pode ser recuperada por qualquer jogador. O time de chutadores, no entanto, não pode avançar uma bola recuperada nesta situação.
Caso o tempo restante no final do 2º ou 4º quartos termine enquanto a bola estiver no ar, de um PUNT, e for feito um fair catch, o time recebedor poderá tentar um Fair Catch Kick, que é basicamente uma tentativa de field goal, com a única diferença de que o alinhamento dos times de chute e de retorno é igual ao alinhamento de um kickoff. Após o chute, caso o field goal não seja convertido, aplicam-se as regras de um kickoff normal, com possibilidade de retorno do chute.
Quem diria que um simples chute poderia render tanto assunto? Imagine se fosse possível pontuar com esse chute. Espero que agora você, leitor, conheça um pouco melhor as regras e não encoste na bola se não for realmente ter controle dela. Se bem que nesse caso teríamos menos emoções no jogo.
Posted on May 5th, 2008 by Orlando
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